Sensação de Insegurança

Posted On 8 Março, 2009

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            Lamentavelmente, volto a escrever neste blog para tratar do tema da segurança pública, ou insegurança pública. Na noite de sábado, 7, fui ridiculamente assaltado na praça Dom Feliciano no centro de Porto Alegre enquanto esperava um ônibus. A vantagem foi a burrice dos assaltantes, que não permitiu que causassem maiores avarias. Às nove e meia da noite, aproximou-se um rapaz se dizendo ex-presidiário, pedindo vale transporte para ir para casa. Logo vi o que viria a seguir, mas não percebi que um comparsa se aproximava com duas garrafas de vidro cheias d’água.

            Ao chegar o segundo integrante da quadrilha, o primeiro começou a futricar meus bolsos e ao perceber que não havia nada além de um aparelho celular velho, ficou sem ação. O outro gritou e jogou uma das garrafas contra o chão, ferindo uma testemunha do ocorrido. Foi tudo muito rápido, mas na verdade o que mais me surpreendeu foi que ao avistar uma viatura da Brigada Militar, relatei o assalto e o PM disse que não poderia atender o meu chamado. Segui para o meu destino, não ficaria dando sopa para que algo ainda pior me acontecesse.

            No domingo pela manhã, por volta de meio-dia, me dirigi ao posto policial da Praça XV, posto da Brigada mais próximo do local do assalto. Para minha surpresa, os policiais nem se levantaram de suas cadeiras há cerca de dois metros do balcão, afinal já é comum as pessoas serem assaltadas e nada acontecer. É normal cidadãos que estão em dia com a justiça e com a receita não conseguirem registrar nem mesmo uma ocorrência por assalto porque o responsável pela digitação de tal ocorrência está em horário de almoço. Compreensível, mas espera-se que em épocas de recorde de arrecadação nos cofres públicos a segurança pública seja mais eficiente e trate os cidadãos com consideração, se não aos sentimentos, à pessoa humana violentada, da forma que me senti.

            Porto Alegre tornou-se uma cidade onde é literalmente cada um por si e Deus por todos, porque segurança pública por excelência não existe. Sensação de segurança, nas ruas escuras desta cidade, principalmente nos pontos de ônibus, é uma utopia. Perdi somente meu celular, mas poderia ter perdido a vida com uma garrafada. É lamentável a maneira com o Estado Brasileiro protege os seus compatriotas. Enquanto isso, nos gabinets dos poderosos brasileiros a preocupação se dá em torno das eleições… de 2010.

O Estaleiro Só

Confesso que ainda não tenho uma opinião formada a respeito do projeto nomeado de Pontal do Estaleiro, mas preciso considerar o impasse. Arquitetonicamente, parece uma bela construção. Um empreendimento que, sem dúvida, faria (ou fará) muito sucesso. Mas sua execussão divide apiniões em contrárias e favoráveis.

O que encomoda os que são contra o Pontal, tenho observado diariamente nos jornais, é o local. Tal projeto faria sucesso onde fosse realizado. Mas no Estaleiro Só, parece bastante egoísta. O ideal para um melhor aproveitamento seria a construção de um parque público, de acesso irrestrito. Além de limitar o acesso de pessoas que não residirem no local à margem do Guaíba, serão prédios que impedirão também a vista de muitos outros ao pôr-do-sol sobre o lago, a vista mais linda da cidade. É isto que está sendo negociado, e pelo andar da carroagem ganharão os que querem que isso seja privilégio dos moradores do Pontal do Estaleiro.

Outra razão que me leva a tencionar o debate é a aprovação da Câmara de Vereadores a uma alteração nas regras para a construção civil na região. Quanto a isso só tenho uma coisa a dizer: para quê temos leis? Quando um grande empresário quer, ele muda as regras do jogo e realiza seu desejo de qualquer jeito, ou com o “jeitinho brasileiro de ser”. Parece que as leis da Câmara Municipál de Porto Alegre são feitas para uma parcela da população. Isso é lamentável. Ao que parece, custo para todos, benefício para poucos.

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