Dispensada qualificação para difusão da informação
20 Junho, 2009
Arquivado em Jornalismo, Opinião
Tags: Desmanche universitário, Diploma de Jornalismo, Ensino superior
Tenho pensado em como expressar a indignação que me provocou o voto do ministro Gilmar Mendes do STF quando defendeu a desregulamentação do jornalismo na última quarta-feira (17). Em primeiro lugar, concordo em gênero, número e grau com o que publica na última quinta-feira (18) o blog Café com Notícias (que a partir de hoje, entra nos blogs recomendados por mim). Segue comentário assinado pelo blog em entrevista de humorista sobre o caso:
Mais uma vez vemos alguém falando do Jornalismo como se fosse uma profissão que exige só técnica. Esquecem que o Jornalismo também é conhecimento científico na área da Ciências da Comunicação e, que por tabela, envolvem outras áreas do conhecimento como Sociologia, Antropologia, História, Literatura, Cinema, etc.
Por isso que temos um jornalismo esportivo tão ruim. Ex-atletas que não sabem fazer uma matéria ou apurar atuando como Jornalistas.
Pessoal, não se enganem com as essas declarações sem um pingo de embasamento teórico. O mundo mudou! O Jornalismo também. O diploma e a profissionalização são instrumentos importantes para se ter excelência, qualidade e fortalecimento da categoria.
Abraço,”
PS.: O “jornalista” de “CQC”, a propósito, não sabe nem quem é que ganha dinheiro com as Universidades. Não concordo que sejam os reitores.
Eu acrescentaria nos argumentos do blog a excepcional valorização da educação expressa pelo Exmo. ministro. Ontem, fiquei estarrecido com a notícia de que o mesmo ministro defende a desregulamentação de outras áreas. É mais um capítulo do desmanche do ensino superior no Brasil. E o pior é que temos muitos “profissionais” e empresas querendo isso para baratear seus custos e lutar por seus interesses pessoais. Aliás, não considero profissional àqueles que não tem instrução e fundamentação científica para exercer sua “profissão”. A esses reservo o título de “amadores”.
Testemunhamos agir o poder econômico sobre a grande mídia, que tem o poder de influenciar as decisões oficiais do nosso país. Bem se diz por aí, existem três poderes no Brasil. Em ordem de importância para nossa Suprema Corte: poder econômico, que manda no segundo poder, o da mídia, que através da pressão que costuma exercer sobre a “opinião pública”, manda no terceiro, o poder institucional do governo nas suas três instâncias, executivo, legislativo e judiciário. Isso é fato.
Serão cada vez mais comuns coisas como lamentavelmente tivemos notícia ontem: TV boliviana usa imagens de Lost como se fossem do vôo 447, da Air France.
Pergunto: Inguliremos qualquer coisa? “Como será o amanhã??? Responda quem puder”.
Categoria busca mobilização em defesa de diploma
Obrigatoriedade de diploma para categoria é questionada na justiça e sindicatos mobilizam estudantes e profissionais
Por Carlos Hammes
A obrigatoriedade de diploma para obtenção de registro profissional junto ao Ministério do Trabalho para o exercício da profissão de jornalista, instituída em 1979, está sendo discutida em todo o Brasil pelos 31 sindicatos de jornalistas e pela Federação Nacional dos Jornalistas. O que levanta a discussão é o processo de inconstitucionalidade impetrado na justiça federal paulista no ano de 2001, que deve ser julgado nos próximos meses pelo Supremo Tribunal Federal. A decisão pode dispensar o diploma para atuação profissional na área. Preocupados com as conseqüências dessa possibilidade, a Federação Nacional dos Jornalistas e o Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul estão peregrinando por universidades gaúchas a fim de suscitar o debate nas instituições de ensino e mobilizar estudantes e profissionais pela qualificação da informação.
O curso de Comunicação Social da Universidade do Vale do Rio dos Sinos promoveu um debate no último dia 12 para discutir o tema. O encontro foi realizado no auditório central da instituição, e mediado pelo professor Juan Domingues. O presidente do sindicato gaúcho, José Nunes, defendeu a exigência do diploma por entender que um dos argumentos apresentados à justiça: “Jornalista se faz no mercado de trabalho”, não condiz com a realidade. Para ele, o mercado não ensina técnicas fundamentais que garantem qualidade da informação, como ética nas praticas profissionais. Além disso, a Universidade é fundamental para que o profissional, além de qualidade, possa oferecer à população um serviço humanizado.
O jornalista Daniel Zanini Filho, outro defensor da exigência do diploma, criticou o uso inadequado do direito universal a informação como argumento para a desregulamentação da profissão. Na sua opinião, o processo é uma forma encontrada pelos grandes grupos de comunicação brasileiros para redução de custos com folha de pagamento e são estes grandes grupos que detêm o poder de afastar da população a discussão acerca da importância de qualificação profissional. A grande questão colocada por Zanini é a quem interessa a desregulamentação, uma vez que o maior prejudicado é o cidadão que anseia por informação de qualidade e isenta de interesses econômicos e políticos.
O coordenador do Comitê pela Democratização da Comunicação do Rio Grande do Sul, Pedro Luiz Osório, listou equívocos da tentativa de desregulamentação como a alegação de que passou a ser obrigatória a formação superior para a profissão no período da ditadura militar. Classificou como um sofisma o argumento, e acrescentou que “É hipocrisia questionar a validade de determinada legislação por ter sido elaborada numa dada época. Se pensarmos dessa forma, anularemos todas as leis aprovadas durante o regime de exceção.” Outro argumento constante no processo, questionado por Pedro Osório, é que a profissão não requer qualificações profissionais específicas, mas exige talento. Argumenta que há diversas áreas do conhecimento que exigem talento, e mesmo assim a maioria delas também exige conhecimento técnico e científico, portanto, diplomação: “É impossível ser jornalista sem dominar um fazer profissional que se complexifica sempre mais, que exige visão crítica profunda e que assume o papel de mediador entre o especialista e o leigo que necessita de informação”.

19 Agosto, 2008